Seguindo por ruas desconhecidas, minhas pernas deram passos por vontade própria, deixando a percepção longe de meus olhos. Minha mão ancorada ao guarda chuva como se ele me protegesse não só da garoa fina, mas também da solidão que me tirava a noção de espaço. Parei em uma esquina escura, tentando me localizar, passei os olhos ao meu redor e caminhei um pouco mais, já sabia onde eu estava, mesmo sem querer chegar até ali, porque eu me perdi em pensamentos ao longo do caminho, tanto que nem consigo lembrar como foi que cheguei.
Subo a escada de uma padaria, procurando algo pra comer só por comer.
Chegando naquele quarto quente, pude sentir o ar passeando na minha pele fria. Deixo as sacolas, a bolsa, e me deixo também sobre a cama... O que eu penso, o que me tira desse mundo eu já não sei, mas meu corpo não responde mais, minha vontade era ficar paralisada ali por horas.
Passei a mão naquela caixa, mal sabia que ali eu tinha guardado aqueles papeis velhos, que foram tocados pela primeira vez a 7 anos atrás... Eu li, reli, e eu pude sentir cada palavra, como se eu estivesse 7 anos mais nova, naquela casa, naquele quarto. Relembrei quanto doeu, quanto fui feliz.... Enfim voltei num suspiro misto de alegria e desespero, percebi que o tempo voa, as pessoas se vão, que eu estou mais velha.... E percebi o quanto todas essas pessoas mudaram.
Chorei e chorei demais, como se cada lágrima trouxesse cada pedaço que doei, junto dessas pessoas. Porém cada lágrima caia me rasgando simplesmente porque eu percebi, nunca mais nada do que levaram de mim poderá voltar, assim como todas as pessoas que se foram... Chorei mais dolorosamente quando percebi que algumas que permanecem hoje, vão seguir também.
Conversei por muito tempo comigo, tentei me acalmar, percebi que não importa quantas pessoas vão passar, quantas pessoas vão vir, todas elas estarão comigo e serão presente na minha mente. Eu sei que não é por acaso. Eu sei!
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